sábado, 17 de outubro de 2009

Mídia negativa: espelho de uma racionalidade burra

Há um sem número de acontecimentos cobertos pela imprensa que trazem aos leitores e espectadores um mundo de poucas gentilezas, cordialidades e gestos de boas-vindas. Seja internacional - com as notícias do "barril de pólvora atômica" do Oriente Médio, os testes nucleares da Coréia do Norte ou a venda de terras da África a preço de banana -, seja nacionalmente, com as noticías da guerra entre policiais e traficantes (hoje no Rio de Janeiro, os bandidos simplesmente derrubaram um helicóptero da Polícia Militar), seja no local, com as notícias de traficantes atentando contra o patrimônio público ou um juiz matando um motociclista por simplesmente ignorar o bom senso e as regras de trânsito.

Desculpem-me os eventuais desinformados por não detalhar cada notícia citada, por presumir que à esta altura poucos não tomaram conhecimento deste mundo de garras afiadas. Na verdade, o que interessa neste texto é perguntar-se: quem somos nós, estes animais, que creditam a uma racionalidade o privilégio de serem chamados "filhos" de um suposto ser divino criador do Universo ao qual foi dado o nome de Deus? Bem, diante deste mundo pouco gentil e cortez, só três conclusões precipitadas me ocorrem: Deus não existe; Deus renegou seus filhos; nunca fomos ou seremos os filhos de Deus.

Na verdade, a reflexão deve ser bem mais profunda. A racionalidade humana, ostentada como o diferenciador essencial entre nós e o resto dos animais, de tão burra e irracional consegue fazer com que construamos um mundo humano tendente a mais tragédias e a menos dádivas. Daí porque tantos atos estúpidos - que alguns, por ainda creditarem à razão a salvação do homem, qualificam-nos de desumanos ou irracionais - preencherem nossa vida cotidiana e daí porque na mídia tamanha barbárie ser prioridade dos noticíários. O homem não só se automutila como precisa ver para acreditar que tal fenômeno de autodestruição lhe é intríseco por mais racionais se arvorem em ser.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Olímpiadas 2016: uma oportunidade

Depois do anúncio do Rio de Janeiro como a escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para sediar as Olímpiadas de 2016, um festival de loas ufanistas e patrióticas e uma saraivada de ponderações com tons céticos, sim, mas um tanto pessimistas, tomaram os meios de comunicação de massa Brasil afora.

Entre aqueles mais "pés no chão", digamos, predominaram as lembranças de uma cidade tomada pela criminalidade (organizada ou desorganizada) nos morros favelados; dos megaempreendimentos hoje elefantes brancos do legado panamericano; ou ainda dos superralos de onde os grandes investimentos, algo em torno de US$ 11 bilhões, podem escoar para bolsos sabe lá de quem, desde empreiteiras, lobistas a políticos.

Do outro lado, os patriotas tupiniquins encantados com as possibilidades de desenvolvimento que um evento olímpico pode proporcionar para a cidade e ao País, seja desde a despoluição das águas da Baía de Guanabara até o incremento econômico - uma grande leva de turistas chegando ao Rio e outras cidades-pólo do Brasil, e a circulação de dinheiro (segundo economistas, cada real investido pode gera cinco vezes mais de riquezas).

Vai do bom senso, sobretudo para críticas desta natureza, fazer observações mais ponderadas. Por um prisma, o patriótico, não se pode esquecer, e não acredito que seja o caso, dos enormes desafios que a estruturação para uma Olimpíada exige. Claro que, mediante o volume de dinheiro em jogo, a realização dos jogos deve se converter em desenvolvimento social de uma longevidade razoável, escapando-se do desperdício do erário público, da locupletação pólítica, e do desvio de verbas. Pela visão pessimista, é descabido pensar que os problemas de violência e desigualdade social do País inviabilizem a Olimpíada.

O fato de sermos a 10ª economia do mundo e o 75º em desenvolvimento humano (IDH) só reforça a ideia de que realizações de grande monta econômica devem ser transformados em benefícios sociais à população, mas de modo algum evitados, sob o argumento prévio de que serão mal explorados, devido a interesses particulares da minoria. Seria o mesmo que dizer que devemos parar de crescer, porque as "fatias do bolo" nunca são igualmente distribuídas. Tal pensamento é provinciano e encobre, sob pretexto de uma precaução pseudocrítica, as possibilidades que um evento de tamanha dimensão pode trazer para o País.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Coliseu Midiático

Com a imprensa alçando ao posto de celebridade a professora de educação infantil Jaqueline Carvalho dos Santos, 28, por sua perfomance "enfiada" e despudorada em casa noturna da velha soterópolis, não restam mais dúvidas. O Coliseu está de volta, mas agora com uma arena midiática, cuja audiência foi elevada a enésima potência, a priori via youtube e agora através do grande conglomerado empresarial de comunicação de massa.

Tanto na Roma antiga quanto hoje na Bahia de todos nós, o espetáculo da barbárie é o motor de atração de um bem valioso outrora e valiosíssimo agora: a atenção das pessoas. Antes, os olhos se voltavam para as sangrentas lutas entre gladiadores, ou mesmo para homens franzinos tentando fugir das garras de grandes leões. Em nossos tempos, a curiosidade está direcionada às sanguinolentas imagens do automassacre de excluídos do sistema de produção e circulação de capital, cultura e desenvolvimento social; ou para a depreciação da reserva moral em nome de uma visibilidade, a qualquer preço.

Diante de tal constatação, talvez ninguém possa deixar de considerar a linha de pensamento do escritor americano John Gray, autor de "Cachorros de Palha". Neste livro, Gray defende que do homo neandertal até o homo sapiens houve todo o tipo de evolução (econômica, social e tecnológica, sobretudo) menos aquela ligada à moral e à ética.

Não à toa, se na Roma antiga os reis e os nobres se divertiam com leões devorando plebeus, na Bahia de todos nós a grande massa de telespectadores não pisca os olhos diante de programas como "Se Liga Bocão" e "Na Mira", para ver a desgraça não de uma outra classe social mas dos seus vizinhos, amigos e parentes.

Interessados na vida cotidiana que os cerca, ali bem explorada nas telinhas pelos falsos jornalistas, esses pobres telespectadores enriquecem, com o próprio sangue, dor e sofrimento (no quer pode ser considerado espécie de sadomasoquismo social) os nobres da mídia com muitos pontos de Ibope a serem trocados por vultosos anúncios publicitários.

Para tal enfadonho cenário, a única saída é evitar ao máximo estar na platéia e principalmente no centro da arena de tão perigoso coliseu midiático.

sábado, 12 de setembro de 2009

Terror: Salvador sob ataques

Onze ônibus queimados, nove módulos policiais atacados, três policiais feridos e três viaturas danificadas. É o saldo triste de ações orquestradas por asseclas do narcotráfico em Salvador, sob ordens de seus líderes de dentro dos presídios. Em resposta, a polícia matou dez homens e prendeu 19 suspeitos de executarem os ataques. Tudo isso em apenas seis dias.

Como agravo, as últimas 24 horas, com uma sexta-feira, 11.9, fechando oito anos dos atentados às Torres Gêmeas em Nova York, foram pinceladas com tons de tensão, receio e apreensão. Circularam boatos de que uma bomba havia sido implantada em um shopping da cidade. Ontem, este blogueiro chegou a saber que um funcionário do gabinete do governador Wagner havia tido informações de que a Polícia Federal recebeu a denúncia do explosivo e equipes haviam se deslocado para invetisgar.

Por volta das 21h, houve movimentação anormal de policiais em frente ao shopping Itaigara. Mas tudo, felizmente, não passou de especulações, pelo menos até um segundo momento. Nos jornais, a ameaça de bomba não foi noticiada. E o A Tarde confirmou a falsidade das denúncias. Mas os boatos fizeram pessoas desistirem de ir ao shopping e ao jogo do Bahia. O clima de tensão também foi visto na reação dos rodoviários que ameaçaram recolher os ônibus nas garagens caso os ataques continuassem.

Os fatos e a repercussão deles na rotina dos soteropolitanos configuram uma cidade de reféns do que já pode ser chamado de terrorismo. A situação ganhou tamanha dimensão que já foi parar nas páginas de jornais internacionais como o El País. O diário espanhol registra que a Bahia está tomada pelo narcotráfico e pontua o assassinato de mais de mil civis só este ano e de 34 policiais militares no ano passado.

Cidade aclamada de forma desvirtuada pelo clima festeiro e "preguiçoso" de baías receptivas e provincianas abertas ao mundo, Salvador agora impressiona além fronteiras nacionais uma imagem de violência, aos moldes de uma antiga Bogotá, quando outrora dominada pelas guerrilhas. Pior que, diferente da distorção de tachá-la malemolente, a pecha de cidade do crime agora se cria com bases bem reais. O que aconteceu nesta semana nada mais é do que uma narcoguerrilha urbana com fortes tendências terroristas.

domingo, 26 de julho de 2009

O atendimento sem volta

Depois de passar a adotar uma máxima atribuída ao fundador da Wal-Mart, o empresário Sam Walton, comecei a ficar preocupado. Agora, sempre ao não me sentir bem atendido em uma loja, bar, restaurante, etc, não ponho nunca mais meus pés de volta no lugar. Era isso que supostamente Walton fazia para punir o mau atendimento. Muito coerente. A preocupação é que as opções estão a cada dia menores diante de tamanho "rigor" de consumidor.

O atendimento ao cliente em Salvador tem se mostrado tão ruim que às vezes beira o ridículo, porque desrespeitoso. Há alguns dias fui à livraria Siciliano, no shopping Iguatemi. Escolhi um livro e fui para o caixa pagar o produto. Como era um consumidor razoavelmente assíduo da livraria, contava com um cartão do programa de relacionamento da loja, pelo qual você soma pontos a cada compra e a partir de determinada pontuação pode ganhar descontos ou mesmo gratuidade em alguns livros.

Para meu espanto, a atendente informou-me que aquele cartão não tinha mais validade e que todos meus pontos de bônus haviam se perdido, pelo simples motivo de que a Siciliano havia sido comprada pela rede Saraiva. Pergunto-me ainda sem resposta: "Eu entro numa loja cujo nome no letreiro luminoso é Siciliano, cuja nota fiscal está em nome da Siciliano, e tenho um cartão da Siciliano invalidado porque agora ela não é mais Siciliano e sim Saraiva"?!! A gerente me disse que sim, infelizmente. Pronto. Fui para casa com o último livro comprado por mim naquela loja, onde jamais comprarei novamente.

Outro dia, fui devolver os filmes locados na GPW. Foram três CDs - um deles de bônus, porque a cada dois filmes você leva um terceiro de graça. Mas ele no final das contas me custou R$ 9,90, devido a uma multa por atraso na entrega. Tudo muito justo se o atendente tivesse informado que o maldito filme, do bônus, deveria ser entregue um dia antes, no caso um sábado, e não no domingo como os outros dois. Tanto não o fez como ainda enfatizou que a entrega seria no domingo. Tampouco chamou a atenção do cliente para observar os prazos de entrega na nota, dado que havia dois prazos e não apenas um.

Queixei-me ao gerente, sugerindo-lhe que nestes casos o atendente alertasse o cliente. Uma cortesia, gentileza que cativaria e não custaria nada. O gerente ironizou: "Vale a sugestão, mas da próxima vez sugiro que o senhor olhe as datas de entrega na nota". Bem, ainda não me decidi se voltarei a tal locadora.

Em outra feita... Não haverá espaço neste blog para tantas poucas e boas que já passei como consumidor. Por outro, sobrará espaço para listar os locais soteropolitanos que valem voltar a colocar os pés. Daqui para frente, vou anotar os nomes, e compartilhá-los.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Cláudia Leitte e o cerco da independência

No dia de comemorações aos 186 anos da Independência da Bahia, 2 de Julho, a cantora Cláudia Leitte fez uma homenagem às avessas. No Farol da Barra, por volta das 19h30 de ontem, estava montada uma megaestrutura, tudo a contento a uma grande festa comemorativa, que no entanto tornava-se inadequada por um simples e grande detalhe: o gramado do Farol estava fechado, virou um camarote destinado apenas a convidados, muitos deles integrantes do fã-clube da cantora.

É no mínimo curioso que em uma homenagem de independência, que devia estar atenta aos ideais de liberdade e justiça almejados naquela data história de 2 de Julho de 1823, sejam determinadas fronteiras, segregando o que deveria ser um público só. Claudinha Leitte ao privilegiar seus convidados acabou por tornar mais evidentes as diferenças de classe, estas ainda remanescentes em um Estado cujo processo real de independência ainda está em curso.

Foi triste ver se repetirem os modelos de festa tradicionais da capital baiana que insistem, com seus camorotes e espaços vips, em colocar a grande massa no segundo plano. Engraçado, é justamente o grande público que sustenta as vendagens de discos destes artistas ditos populares.

Em artigo recente na sua coluna na Folha de S. Paulo, o jornalista Gilberto Dimenstein chamou a atenção para o uso, embora legal, de verbas públicas por grandes nomes da música popular brasileira. Ivete Sangalo e Caetano Veloso, lembrou Gilberto, são uns que sempre se valem da Lei Rouanet para promover seus luxuosos espetáculos. Enquanto isso, artistas pequenos vão atrás de empresas privadas para patrocinar suas investidas.

Tudo isso é prova de que há uma inversão de valores em nome da sustentação de um mercado fonográfico. Nada contra. Nem mesmo contra os camorotes. O que não se pode perder de vista é que os espaços privados não podem se sobrepor aos públicos, do mesmo modo que os interesses particulares não podem aniquilar os coletivos, quiçá a liberdade do povo para ter garantido um lugar mais confortável no dia de comemorar sua luta de autoafirmação.

domingo, 28 de junho de 2009

A cultura não legitima atrocidades

Há quase uma semana, estava este blogueiro em Cruz das Almas, a 146 quilômetros de Salvador, cobrindo o São João da cidade, conhecida pela famosa guerra de espadas. Sempre ouvi dizer o quão perigosas são as batalhas de espadas, como elas resultam em feridos e mortos.

Felizmente não testemunhei mortes. Mas vi crianças, idosos, mulheres, homens e adolescentes queimados, machucados, mutilados. Um rapaz de 18 anos perdeu o olho direito. Um senhora de 63 anos teve traumatismo na mandíbula. Vi crianças de 13 anos sem luvas correndo atrás das espadas e uma delas teve o punho aberto em ferida por conta da brincadeira de mau gosto. Relatei tudo isso em reportagens pelo jornal A Tarde.

O motivo de voltar ao assunto aqui veio de comentários de alguns leitores sobre a minha matéria "Guerra de espadas deixa mais de 160 feridos em Cruz das Almas". Um leitor se identificando como Pedro considerou a reportagem "infeliz, só destacando o lado negativo". "A espada é uma manifestação do povo", argumentou. Outra leitora, de nome Luciana Fraga, condenou: "Muito infeliz a forma jornalística como foi conduzida esta reportagem, tendenciosa, preconceituosa..."

Engraçado, ergue-se a bandeira da tradição cultural para justificar fatos graves como crianças se ferindo e correndo risco de morte. O prezado Pedro esquece que nem sempre a decisão majoritária, e por assim dizer supostamente democrática, é dona da verdade (e lembremos que não se sabe se este é o caso de Cruz das Almas, já que nunca se realizou um plebiscito na cidade sobre o assunto). Além do mais, é princípio democrático que o desejo da maioria não elimine os direitos da minoria, sobretudo, quando falamos de direito à vida.

O perigo em validar atrocidades em nome da cultura é desprezar que acima dela existem os direitos humanos, que se referem à condição existencial primeira do homem, antes mesmo de sua formação cultural subsequente. O capricho cultural não pode irresponsavelmente aniquilar as premissas de liberdade, integridade moral, psíquica e física.

Infeliz não é minha matéria, infeliz é uma cultura querer se impor em detrimento da vida e do patrimônio público da cidade, onde a maioria da população e também visitantes não estão nas ruas soltando espadas mas sim em casa tentando se esconder delas. Infeliz é o argumento de que "à guerra vai quem quer", enquanto testemunha-se espadas que atingem inocentes, inclusive adentrando as residências.

Infeliz também é chamar de tendenciosa e preconceituosa uma reportagem que relatou fatos e não opiniões. Como não afirmar que a guerra quebrou barreiras jurídicas, administrativas e de bom senso, quando se testemunhou espadeiros "brincarem" em áreas proibidas pela prefeitura, perto de postos de gasolina, uma proibição que nem sequer podia existir, dado que ela lá existe pelo Código Penal. Cadê o bom senso em pais estimular seus filhos a soltar espadas, podendo se ferir gravemente? Cadê o bom senso em soltar espadas debaixo de carros, em postos de gasolina, em casas?

Se isso tudo pode se aceitar, tolerar e justificar em nome da cultura, o quê não se poderá então? Uma cultura sem limites como essa não pode ser nada mais que uma cultura tola, burra e cruel.

Adendo: Em reposta ao comentário da leitora Magali, é preciso esclarecer que este blogueiro não condena a priori a cultura da guerra de espadas, mas sim os argumentos de que por ser uma manifestação cultural estaria a guerra de imediato isenta de limites, mesmo em detrimento de direitos maiores do que a liberdade das expressões culturais. Concordo com a prezada leitora quando pontua a necessidade de se conscientizar a população para o respeito ao direito de ir e vir da população cruzalmense. Reafirmo, pois, a urgência de se estabelecer um plebiscito para que o povo daquela cidade decida sobre assunto tão polêmico e que as autoridades não se furtem da responsabilidade de punir criminosos que, em nome da cultura, põem em risco a integridade física de seus concidadãos.


foto: Eduardo Matins (Agência A Tarde)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson: o último show de um mito


A cada anúncio de um novo videoclip, a ser transmitido com exclusividade no Brasil pelo Fantástico, a expectativa em todos crescia como nunca e talvez jamais existirá novamente. Michael Jackson conseguiu como nenhum outro artista fazer da imagem um espetáculo acima dos recursos tecnológicos aplicados (incríveis, diga-se de passagem). Michael na tela, no videoclipe, era arte.

E daí porque sua natureza artística atemporal, impossível de ser vencida por uma reformatação da música pop, como afirmou o jornalista e crítico musical Hagamenon Brito no Correio da Bahia de hoje ao escrever que Michael não conseguiu se reinventar e ficou obsoleto. Não era mais preciso. Mitos não precisam se reinventar, porque pairam sobretudo como não mais existissem.

Nunca fui um conhecedor profundo de sua obra, nem fã. Mas não consigo esquecer do frisson ao acompanhar cada novo videoclip, e ficar estupefato pela performance. Michael Jackson foi talvez a última estrela a poder ser chamada de homem espetáculo e fazer de sua obra algo maior que sua própria existência como ser humano, que ontem saiu de cena (1958-2009).

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Diploma: a ausência necessária

Por já ter me pronunciado antes sobre o assunto no texto "Contra o institucionalismo do diploma", serei muito breve quanto à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira, de exitinguir a obrigatoriedade do diploma específico para exercer a profissão de jornalista.

É desperdício de energia dos meus pares fazer soar todo esse alarido de indignação frente à decisão. Primeiro porque o STF não impossibilitou que o diploma de jornalismo seja usado como critério de seleção. Ao contrário, reforçou este seu valor intrínseco, de garantia de conhecimento e não de mera promoção. Ou seja, o diploma fará a diferença se aquele que o possui refletir no exercício da profissão todo o saber certificado por aquele canudo debaixo do braço. Do contrário, denunciará com linhas mais fortes não ser merecedor do título que ostenta mediante um pedaço de papel.

Segundo, em sequência, estaremos tirando do mercado seu suposto viés estritamente mercadológico. Explico-me: se há uma gama maior de pessoas potencialmente jornalistas, nas empresas credíveis estarão trabalhando profissionais de excelência ainda maior dos que com hoje contamos, dado um processo mais competitivo de seleção. O mercado deverá ser mais exigente, porque a sociedade cobrará isso dele, já que será ainda mais a opinião pública, agora derrubado o diploma, a reguladora e fiscalizadora da qualidade dos registros jornalísticos.

E, por fim, o maior rigor do mercado deverá encontrar o melhor do jornalismo entre os diplomados, do contrário, tudo dentro das faculdades deverá ser revisto. E olhe só, está aí outra porta de retornos profícuos sendo aberta pelo diploma, ou melhor, por sua não obrigatoriedade.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A mijadinha está liberada

A causa ambiental é seríssima. Na verdade, é o grande engajamento político do século XXI, sobretudo para a juventude. O jovem que não está na onda verde é como, se comparado aos anos de chumbo da ditadura, estivesse alheio aos movimentos de esquerda, sem ter intimidadade com Marx, Hegel, e por aí vai.

Mas a obssessão pela conscientização das pessoas, delas terem o dever de zelar pelo meio-ambiente, às vezes de tão séria se torna tragicômica. Semana passada, a ong SOS Mata Atlântica divulgou uma campanha, com repercussão na mídia nacional, incentivando as pessoas a fazerem xixi quando debaixo do chuveiro.

Na verdade, eu achei ótimo e já votei (clique em campanha para votar) comunicando que sou mais um daqueles conscientes cidadãos que dão uma velha mijada no banho - os que mijam são 75% dos votantes por enquanto, os que não são 25%. Achei interessante a campanha porque deve ter sido, assim como o foi para mim, a milhares de pessoas, um grande incentivo para elas se livrarem de uma repressão infantil histórica. Cansei de ouvir, quando criança, minha mãe dizer: "o boxe está fedendo a mijo, quem foi que fez xixi no banheiro?". Ai de quem se declarasse réu confesso, o coro comia.

Fico aqui pensando... Minha mãe, muito menos eu, nunca imaginou que aquela mijada estava ecomizando 12 litros de água por dia, que seriam desperdiçadas pela latrina ao simples toque da descarga, gesto que a boa educação materna sempre encorajou a prática. Desde que li a campanha, dei várias mijadas durante o banho.

Isso é quase um milagre! É a primeira vez na história que o politicamente correto parece divertido e dá asas à perversão. Mas cá para nós. Não seria melhor fazer campanha a favor do controle de vazão da água a cada descarga dada, através de válvulas dispersoras de vazão, como já existe em alguns países?

Imagine se a cada vez que o sujeito tiver vontade de fazer um xixizinho, ele tiver que tomar um banho... Brincadeira! Mas que vai gerar paranóia, isso vai. Eu agora fico me pergutando se realmente dou descarga depois de fazer xixi, ou se vou em casa tomar um banho para largar a velha mijada e provar mais uma vez da delícia da subversão fisiológica em mim reprimida desde a infância!