sábado, 15 de maio de 2010

Jornalista deve assumir o que escreve sempre

Jornalistas devem ter muito cuidado com aquilo que escrevem. Uma palavra errada, mal escolhida, erroneamente reproduzida, ou colocada fora de lugar, pode trazer consequências desastrosas, à sociedade, à fonte e ao próprio repórter. Mas o erros sempre vão aparecer. E, diferente da postura que a mídia brasileira tem adotado, de se colocar acima de qualquer suspeita, o comportamento ético, honesto e digno é o de assumir os equívocos, não ignorá-los ou escamoteá-los.  

Por isso, sem pesares e abertamente, assumo a imprecisão de minha matéria "Empresas disputam lixo de Salvador", publicada na edição de ontem do jornal A TARDE, especificamente na reprodução direta da declaração da subprocuradora-geral  do município, Angélica Guimarães, que fiscaliza o andamento legal do processo de licitação pública que irá definir a empresa a prestar o serviço de limpeza urbana da cidade. A saber, a declaração publicada: "Há muita pressão porque os empresários que estão atuando na área não querem sair". A subprocuradora referia-se a uma avalancha de impugnações movidas por empresas que hoje prestam o serviço (dominam o mercado há mais de 20 anos), questionando o processo licitatório com intuito de retardar ao máximo o processo.

Bem, na matéria não tive o cuidado de explicitar inequivocadamente a que a declaração se referia, embora tenha escrito acima dela sobre a possibilidade das empresas impetrarem  novas ações e sobre as diversas impugnações anteriores.  A saber: "A subprocuradora-geral do município, Angélica Guimarães, afirmou que espera receber novos questionamentos sobre o processo de licitação. Antes da abertura da concorrência pública, o edital foi alvo de várias impugnações".

A palavra "pressão" não contextualizada inequivocadamente deu margens a interpretações como a o do site Bahia Notícias, que comentou sobre a declaração: "'Há muita pressão porque os empresários que estão atuando na área não querem sair', afirma Angélica Guimarães, a subprocuradora do município, sem entretanto explicitar quais tipos de pressões sofre do empresariado". Em nenhum momento da matéria falei sobre pressões por fora, extras ou sobre qualquer outra natureza de pressão, que poderia colocar a integridade da subprocuradora em jogo. Mas não culpo a maliciosidade emprestada ao meu texto, porque ele realmente deixou brechas interpretativas.

Sem mais, está aí um bom exemplo, vivido na pele, de que é necessário o repórter ter um cuidado redobrado com o que escreve.  Sempre soube disso, mas não sou infalível, e reconhecer tal condição penso ser a melhor maneira para evitar a repetição dos erros.  

Um comentário:

Verena Campello e Priscila Rodrigues disse...

Muito bem! parabéns por sua atitude.
me deixa muito orgulhosa.

te amo

Veu